terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Esquema milionário em Turilândia investigado pelo GAECO provoca colapso político e pode enterrar pré-candidatura de Eva Curió

O que parecia um projeto político consolidado ruiu em poucos dias. A megaoperação deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público do Maranhão, revelou um esquema de corrupção que, segundo as investigações, desviou mais de R$ 56 milhões dos cofres públicos do município de Turilândia.


No centro das apurações está o prefeito Paulo Curió (União Brasil), apontado pelo Ministério Público como líder da organização criminosa investigada. Contra ele e outros alvos foram expedidos 21 mandados de prisão, além de medidas cautelares de bloqueio de bens e apreensões. Até o momento, o prefeito é considerado foragido da Justiça.

De acordo com o Ministério Público, o esquema funcionava de forma estruturada e contínua dentro da administração municipal, envolvendo agentes públicos e terceiros, com indícios de fraudes em contratos, desvio de recursos e enriquecimento ilícito.


“As investigações apontam a existência de uma organização criminosa estável, com divisão de tarefas e atuação reiterada para desviar recursos públicos”, destacou o MP em nota oficial sobre a operação.


O impacto político da operação foi imediato. Além do prefeito, a vice-prefeita, um ex-vice-prefeito e vereadores também foram alcançados pelas medidas judiciais, escancarando, segundo o órgão ministerial, uma engrenagem que operava dentro da própria estrutura da gestão municipal.


Dinheiro apreendido e bloqueio milionário 

Durante o cumprimento dos mandados da Operação Tântalo II, foram apreendidos R$ 500 mil em dinheiro vivo, valor encontrado em um dos endereços investigados — o local exato não foi detalhado pelas autoridades. Além disso, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 9.445.213,17 em contas bancárias dos investigados.

O dano total ao erário, conforme cálculo apresentado pelo Ministério Público, chega a R$ 56.328.937,59, valor que fundamenta as medidas de indisponibilidade de bens, conforme previsto na Lei nº 8.429/1992 (Lei de Improbidade Administrativa) e na Lei nº 12.850/2013 (Lei das Organizações Criminosas).

“As medidas cautelares têm como objetivo garantir o ressarcimento ao erário e evitar a continuidade das práticas ilícitas”, reforçou o MP.


Projeto eleitoral interrompido


No campo político, os reflexos também foram profundos. A pré-candidatura da primeira-dama Eva Curió à Assembleia Legislativa do Maranhão, que vinha sendo articulada nos bastidores, perdeu completamente sustentação diante do cenário de crise, investigações e desgaste público.

A pergunta que se impõe nos corredores políticos e entre a população é direta: como sustentar compromissos eleitorais quando o principal articulador do grupo está foragido e a gestão é alvo de uma investigação que aponta um rombo milionário?

O discurso de pré-campanha deu lugar a bloqueios judiciais, prisões, apreensões e exposição negativa, mudando radicalmente o clima político em Turilândia.


Clima de crise e incerteza

O recado deixado pela operação é claro. O que era tratado como “sonho” político acabou antes mesmo de se consolidar. Para apoiadores mais apressados, os fatos falam por si. Em Turilândia, o ambiente deixou de ser de articulação eleitoral e passou a ser de crise institucional, com desdobramentos que ainda devem se estender no campo judicial e político.

As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos não estão descartados.


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